segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Chiove




Já senti o aroma da Primavera, entretanto chove lá fora...
mas... a chuva tem esse poder de nos envolver.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

...tudo o mais que ainda me escapa


No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o Mundo.
(...)
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera... do futuro.
No teu poema de José Luís Tinoco

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Trazes sorrisos atordoados e frases feitas...

Sofres do mal de seres pouco, és pescador de corrico, de chumbo leve e de mar sem enchios; rasas-me a superfície a ver se mordo, mas desistes rapidamente, porque me sabes bicho de águas profundas. 
Às vezes, consegues-me. 
Quando a tua melancolia se sobrepõe à vontade de teres graça e se desprende na minha direcção, num vislumbre oblíquo.
Excerto de post em Um amor atrevido

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

...não houve tempo antes de nós


quando te beijo o beijo que tu me beijas
é que a flor envolve a terra que toca a flor
e é só a forma de os meus lábios dizerem que sim
e de os teus lábios dizerem que não
que não houve tempo antes de nós

Vasco Gato

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Não digas sorte, diz privilégio...

Se existe uma chave,
se existe uma chave que não derreta na boca,
se existe uma boca capaz de se abrir para outra boca,
então eu amo, eu beijo, eu deixo de esperar.

Então tu saltas e arrastas contigo toda a terra.
Convidas-me para o teu corpo
no gesto sem mágoa de um ombro que se expõe.
Tens anos de combustão solar,
e moves-te assim:
tocando simultaneamente o resgate e o perigo.

Ah forte como a loucura é o amor,
o amor como a electricidade dos campos.
O amor-pirâmide,
o amor-trevo-de-quatro-folhas,
o amor-moeda-achada-no-chão.
Não digas sorte, diz privilégio.
Não peças perdão, pede chuva.
Não recues, assombra-te.

Vasco Gato

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

...ainda o tempo

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo
José Saramago

Eu sei
Que a vida tem pressa
Que tudo aconteça
Sem que a gente peça
Eu sei

Eu sei
Que o tempo não pára
O tempo é coisa rara
E a gente só repara
Quando ele já passou

Não sei se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
Para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
(...)






Excerto de letra de Miguel Gameiro

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

...do tempo

A E. dizia hoje a caminho da escola:
- O tempo passa tão depressa! Ontem o dia passou a correr... Já as férias foram tão rápidas...

Para  E. os momentos do tempo podiam ter nomes de estrelas...

Acho aberrante a velocidade do tempo e a estupidez de o medirmos em porções tão pequenas. Que cretina precisão haveria de ser inventada para nos predar milésimo de segundo a milésimo de segundo. Para as coisas práticas da vida,  o tempo devia ter fôlegos longos, que nos criassem a impressão de longevidade, ditos sem números, apenas expressões que fossem elogios ou nomes de flores encantadoras. O tempo tem de ser uma disciplina revista a nosso favor. Não importa que estejamos por ele limitados, importa que falemos dele apenas com amplitude, para que nos soe a uma companhia que fica mais do que um gesto que se faça.
Valter Hugo Mãe em JL nº 1155