sábado, 4 de setembro de 2021

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Love me for love’s sake...

If thou must love me, let it be for nought
Except for love’s sake only. Do not say
I love her for her smile … her look … her way
Of speaking gently, … for a trick of thought
That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day’—
For these things in themselves, Belovèd, may
Be changed, or change for thee,—and love, so wrought,
May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity’s wiping my cheeks dry,—
A creature might forget to weep, who bore
Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love’s sake, that evermore
Thou may’st love on, through love’s eternity.
By Elizabeth Barrett Browning

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Tragam-me um homem que me levante com os olhos...

... que em mim deposite o fim da tragédia

com a graça de um balão acabado de encher

tragam-me um homem que venha em baldes,

solto e líquido para se misturar em mim

com a fé nupcial de rapaz prometido a despir-se

leve, leve, um principiante de pássaro

tragam-me um homem que me ame em círculos

que me ame em medos, que me ame em risos

que me ame em autocarros de roda no precipício

e me devolva as olheiras em gratidão de

estarmos vivos

um homem homem, um homem criança

um homem mulher

um homem florido de noites nos cabelos

um homem aquático em lume e inteiro

um homem casa, um homem inverno

um homem com boca de crepúsculo inclinado

de coração prefácio à espera de ser escrito

tragam-me um homem que me queira em mim

que eu erga em hemisférios e espalhe e cante

um homem mundo onde me possa perder

e que dedo a dedo me tire as farpas dos olhos

atirando-me à ilusão de sermos duas

novíssimas nuvens em pé.

Em Ver no Escuro de Cláudia R. Sampaio

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

(...)

Morrer de amor

ao pé da tua boca

Desfalecer

à pele

do sorriso

Sufocar

de prazer

com o teu corpo

Trocar tudo por ti

se for preciso

Maria Teresa Horta, in “Destino”

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Sinto que ainda ficou uma palavra minha esquecida na tua boca

esperar que voltes é tão inútil como o sorriso escancarado dos mortos na necrologia do jornais e no entanto de cada vez que a noite se rasga em barulhos no elevador e um telefone de debruça de um sexto andar sinto que ainda ficou uma palavra minha esquecida na tua boca e que vais voltar para a devolver 

De Alice Vieira, Os armários da noite

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Je t’aimerai encore

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Pergunta-me...

Pergunta-me

se ainda és o meu fogo

se acendes ainda

o minuto de cinza

se despertas

a ave magoada

que se queda

na árvore do meu sangue

Pergunta-me

se o vento não traz nada

se o vento tudo arrasta

se na quietude do lago

repousaram a fúria

e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me

se te voltei a encontrar

de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas

e se eras tu

quem eu via

na infinita dispersão do meu ser

se eras tu

que reunias pedaços do meu poema

reconstruindo

a folha rasgada

na minha mão descrente

Qualquer coisa

pergunta-me qualquer coisa

uma tolice

um mistério indecifrável

simplesmente

para que eu saiba

que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder

saibas o que te quero dizer

                                                                                                                                                                                                                                    de Mia Couto