quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Je t’aimerai encore

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Pergunta-me...

Pergunta-me

se ainda és o meu fogo

se acendes ainda

o minuto de cinza

se despertas

a ave magoada

que se queda

na árvore do meu sangue

Pergunta-me

se o vento não traz nada

se o vento tudo arrasta

se na quietude do lago

repousaram a fúria

e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me

se te voltei a encontrar

de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas

e se eras tu

quem eu via

na infinita dispersão do meu ser

se eras tu

que reunias pedaços do meu poema

reconstruindo

a folha rasgada

na minha mão descrente

Qualquer coisa

pergunta-me qualquer coisa

uma tolice

um mistério indecifrável

simplesmente

para que eu saiba

que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder

saibas o que te quero dizer

                                                                                                                                                                                                                                    de Mia Couto

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O DO AMOR 

Espaço sem portas, sem estradas, o do amor. 
O primeiro desejo dos amantes é serem velhos amantes.
E começarem assim o amor pelo fim. 
de Regina Guimarães

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Le vent le cri...

quarta-feira, 27 de maio de 2020

E ainda...

Wuhan proibiu consumo de animais selvagens durante cinco anos.
Durante cinco anos, os animais selvagens podem estar calmos.
Talvez ao fim desses 5 anos os animais selvagens fiquem mansos e possam já ser legalmente comidos.
O manso é aquilo que é comido sem dizer ai nem ui.
A fome humana, essa, nunca amansa.
Ao contrário dos cavalos selvagens, de alguns lobos e de vários chacais.
O cavalo domestica-se à força do punho forte e à corda. Com a repetição e por vezes ao pontapé.
Mas não podes amansar o teu estômago, que é coisa selvagem.
Não há corda, punho, pontapé ou jejum repetido que domestique.
Levanta-se o estômago a cada novo dia de manhã e diz: Quero.
Em Diário da Peste, 21 de maio, de Gonçalo M. Tavares

quarta-feira, 20 de maio de 2020

A felicidade vai... Desabar sobre os homens



Menina a felicidade
É cheia de pano
É cheia de peno
É cheia de sino
É cheia de sono

Menina a felicidade
É cheia de ano
É cheia de eno
É cheia de hino
É cheia de onu

Menina a felicidade
É cheia de AN
É cheia de EN
É cheia de IN
É cheia de ON

Menina, a felicidade
É cheia de A
É cheia de E
É cheia de I
É cheia de O

sábado, 25 de abril de 2020