quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

 Pela desobediência...

Maria Teresa Horta ( 1937-2025)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O amor é fome de outra vida, desejo de transitar...

...Quando dois amantes se abraçam e beijam, entredevoram-se, morrem um no outro, de algum modo, e transitam para um novo ser.
A vida não pode ficar em nós, a repetir-se, que repetir é estar parado, é ocupar o mesmo lugar.

Teixeira de Pascoaes

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

...o tempo, ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, não é o mesmo para toda gente...


 O título é um excerto de Todos os Nomes, talvez o melhor livro de José Saramago

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

...and if you say run...

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Deep in the heart of me

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Pas tout...

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Por muito te querer, talvez pudesses dar-me um lugar qualquer mais adiante...

 Na lista dos teus fins venho no fim

de uma página nunca publicada,

e é justo que assim seja. Embora saiba

mexer palavras, e doer de frente,

e tenha esse talento conhecido

de acordar de manhã, dormir à noite,

e ser, o dia todo, como gente,

nunca curei, como previa, a lepra,

nem decifrei o delicado enigma

da letra morta que nos antecede.

Por muito te querer, talvez pudesses

dar-me um lugar qualquer mais adiante,

despir-te de pudor por um instante

e deixá-lo cobrir-me como um manto.

de António Franco Alexandre, em  Aracne

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Melancolia outonal

Si algun día sin querer tropezamos
No te agaches, ni me hables de frente
Simplemente la mano nos damos
Y después que murmure la gente...

Parte de En el Último Trago

sábado, 4 de setembro de 2021

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Love me for love’s sake...

If thou must love me, let it be for nought
Except for love’s sake only. Do not say
I love her for her smile … her look … her way
Of speaking gently, … for a trick of thought
That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day’—
For these things in themselves, Belovèd, may
Be changed, or change for thee,—and love, so wrought,
May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity’s wiping my cheeks dry,—
A creature might forget to weep, who bore
Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love’s sake, that evermore
Thou may’st love on, through love’s eternity.
By Elizabeth Barrett Browning

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Tragam-me um homem que me levante com os olhos...

... que em mim deposite o fim da tragédia

com a graça de um balão acabado de encher

tragam-me um homem que venha em baldes,

solto e líquido para se misturar em mim

com a fé nupcial de rapaz prometido a despir-se

leve, leve, um principiante de pássaro

tragam-me um homem que me ame em círculos

que me ame em medos, que me ame em risos

que me ame em autocarros de roda no precipício

e me devolva as olheiras em gratidão de

estarmos vivos

um homem homem, um homem criança

um homem mulher

um homem florido de noites nos cabelos

um homem aquático em lume e inteiro

um homem casa, um homem inverno

um homem com boca de crepúsculo inclinado

de coração prefácio à espera de ser escrito

tragam-me um homem que me queira em mim

que eu erga em hemisférios e espalhe e cante

um homem mundo onde me possa perder

e que dedo a dedo me tire as farpas dos olhos

atirando-me à ilusão de sermos duas

novíssimas nuvens em pé.

Em Ver no Escuro de Cláudia R. Sampaio

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

(...)

Morrer de amor

ao pé da tua boca

Desfalecer

à pele

do sorriso

Sufocar

de prazer

com o teu corpo

Trocar tudo por ti

se for preciso

Maria Teresa Horta, in “Destino”

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Sinto que ainda ficou uma palavra minha esquecida na tua boca

esperar que voltes é tão inútil como o sorriso escancarado dos mortos na necrologia do jornais e no entanto de cada vez que a noite se rasga em barulhos no elevador e um telefone de debruça de um sexto andar sinto que ainda ficou uma palavra minha esquecida na tua boca e que vais voltar para a devolver 

De Alice Vieira, Os armários da noite

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Je t’aimerai encore

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Pergunta-me...

Pergunta-me

se ainda és o meu fogo

se acendes ainda

o minuto de cinza

se despertas

a ave magoada

que se queda

na árvore do meu sangue

Pergunta-me

se o vento não traz nada

se o vento tudo arrasta

se na quietude do lago

repousaram a fúria

e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me

se te voltei a encontrar

de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas

e se eras tu

quem eu via

na infinita dispersão do meu ser

se eras tu

que reunias pedaços do meu poema

reconstruindo

a folha rasgada

na minha mão descrente

Qualquer coisa

pergunta-me qualquer coisa

uma tolice

um mistério indecifrável

simplesmente

para que eu saiba

que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder

saibas o que te quero dizer

                                                                                                                                                                                                                                    de Mia Couto

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O DO AMOR 

Espaço sem portas, sem estradas, o do amor. 
O primeiro desejo dos amantes é serem velhos amantes.
E começarem assim o amor pelo fim. 
de Regina Guimarães

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Le vent le cri...

quarta-feira, 27 de maio de 2020

E ainda...

Wuhan proibiu consumo de animais selvagens durante cinco anos.
Durante cinco anos, os animais selvagens podem estar calmos.
Talvez ao fim desses 5 anos os animais selvagens fiquem mansos e possam já ser legalmente comidos.
O manso é aquilo que é comido sem dizer ai nem ui.
A fome humana, essa, nunca amansa.
Ao contrário dos cavalos selvagens, de alguns lobos e de vários chacais.
O cavalo domestica-se à força do punho forte e à corda. Com a repetição e por vezes ao pontapé.
Mas não podes amansar o teu estômago, que é coisa selvagem.
Não há corda, punho, pontapé ou jejum repetido que domestique.
Levanta-se o estômago a cada novo dia de manhã e diz: Quero.
Em Diário da Peste, 21 de maio, de Gonçalo M. Tavares